lukacs,as duvidas que o texto fez pensar e refletir

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lukacs,as duvidas que o texto fez pensar e refletir

Mensagem  angelica flor de lis em Dom Nov 01, 2009 8:32 am

qual o entendimento do lukacs,sobre as diversas formas de ser-ser inorganico,ser organico e ser social? o que o autor endente sobre pesquisa genetica? a reproduçao social esta ligada com a dialetica aristotelica?muito bom,o texto da primeira aula,mais me deixou com muitas duvidas para serem reaspondidas,o que reproduçao social?lukacs era um militante politico e um intelectual atuante,o livro famoso dele historia e cosciencia de classe e super legal da forma como ele coloca a realidade social,o que e estranhamento e qual seu problema dentro de uma sociedade de classe,o trabalhador assimila esse estranhamento,ou oestranhamento e imposto para a classe de trabalhadores?o que pesquisa genetica e pra que serve?o que e ser ontologico?o que e metodos historico-geneticos? Cool flower Wink

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Re: lukacs,as duvidas que o texto fez pensar e refletir

Mensagem  Deise Luiza Ferraz em Seg Nov 02, 2009 9:46 pm

Olá Angélica e demais colegas de curso,

Concordo com a Angélica, o texto traz a possibilidade de muitos questionamentos e problematizações. Uma das questões que levantastes eu havia feito anteriormente em outro tópico e o Jamerson posto uma resposta bem esclarecedora, sugiro a leitura do mesmo nesse link: http://estudosdotrabalho.livreforum.com/aula-1-f1/a-leitura-dialetica-do-fenomeno-de-constituicao-dos-quilombos-t3.htm

Quanto as outras indagações, vou arriscar-me em responder a tua dúvida sobre o estranhamento ou a alienação. Para isso vou alongar-me uma pouco, espero que tenhas paciência para ler até o final. Wink

Vou adicionar aqui uma parte da minha tese em que comento, partindo do livro de Mészáros (A teoria da Alienação em Marx) o que é o trabalho alienado. Como ainda não entreguei a tese e como estou me aventurando nas leituras marxianas há dois anos apenas, conto com o auxílio de todos que queiram contribuir para a melhora do texto e do meu entendimento. Ou seja, na tentativa de auxiliar a compreensão da Angélica, peço auxílio de todos para averiguar se estou conseguindo dar conta do que me proponho estudar nesses últimos anos. Ficarei grata por qualquer crítica e ou sugestão.

Lá vai:

O homem é uma espécie humanamente natural e naturalmente humana. Afirmar “ […] que a vida física e mental do homem está interconectada com a natureza não tem outro sentido senão que a natureza está interconectada consigo mesma, pois o homem é uma parte da natureza” (MARX, 2003, p. 84). Sendo parte específica do todo, o homem se diferencia na e da natureza pelo fator peculiar da “atividade com propósito” ou da “atividade vital essencial” ou simplesmente, como é mais conhecido, pelo fator “trabalho”. Ou seja, o homem se distingue das demais espécies da natureza devido a consciência sobre sua atividade por comanda-la segundo seus objetivos. É desta consciência e deste comando que Marx fala ao comparar o ato de arquitetar edifícios e de construir colméias. É do trabalho concebido e operacionalizado enquanto mediador da reprodução da existência humana, trabalho enquanto criador de valor de uso.
Na visão de Marx o homem não é nem “humano” nem “natural” apenas, mas ambas as coisas: isto é, “humanamente natural” e “naturalmente humano”, ao mesmo tempo. Ou, ainda, num nível mais elevado de abstração, “específico” e “universal” não são opostos entre si, mas constituem uma unidade dialética. Ou seja, o homem é o “ser universal da natureza” somente porque ele é o “ser específico da natureza”, cuja especificidade singular consiste precisamente em sua universalidade singular, em oposição à parcilaidade limitada de todos os outros seres da natureza (Mészáros, 2007 p. 19)
O homem vive da natureza inorgânica e quanto mais universal se torna a espécie mais domina a natureza inorgânica da qual vive, tal desenvolvimento está de acordo com seu atributo essencialmente humano: seu poder de “automediação” e “autodesenvolvimento”. A natureza é o corpo inorgânico do homem sob dois aspectos: sendo seu meio imediato de vida e, servindo de instrumento e de objeto para a sua atividade vital.
Segundo as teorizações de Marx, o trabalho manifesta-se, portanto, como determinante da ontologia humana. O trabalho ou a atividade humana, é o medidor da reprodução da existência do homem e ao ser efetuado transforma a natureza, o homem e as relações entre homem-natureza e homem-homem. O homem mediado pelo trabalho transforma a si mesmo enquanto espécie. Nas palavras de Marx (1996, p. 207)
Antes de tudo, o trabalho é um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza. Ele mesmo se defronta com a matéria natural como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais pertencentes a sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mão, a fim de apropriar-se da matéria natural numa forma útil para sua própria vida. Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a Natureza externa a ele e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza.
Mészáros (2007, p. 99) apresenta a reciprocidade dialética entre natureza-homem-atividade conforme ilustração abaixo. Nesta reciprocidade o homem (H) tanto produz a indústria ou atividade produtiva (I) quanto é produzida por ela; tanto altera a natureza (N) quanto é alterado por ela, esta é incomensuravelmente modificada pela atividade humana como também condiciona alterações nessa atividade.
AQUI TEM UMA IMAGEM QUE NÃO CONSEGUI COLOCAR Sad

Fonte: MÉSZÁROS, 2007, p. 100
Segundo Mészáros (2007, p. 108), para Marx, o “primeiro ato histórico do homem é a criação de sua primeira necessidade nova”. N’A Ideológia Alemã, Marx e Engels demonstram que o pressuposto para existência humana é que o homem tem que “estar em condições de viver para poder 'fazer história'” (MARX e ENGELS, 2007, p. 33) e, para compreender esta história é necessário observar alguns pontos fundamentais que coexistem desde os primórdios e que podem assim ser resumidos: a) o homem satisfaz suas necessidades fumdamentais por meio da atividade; b) esta cria novas necessidades; c) o homem não apenas se produz enquanto indivíduo, mas se reproduz enquanto espécie, criando laços sociais e novas necessidades – o ser social de Lukács; d) a produção e reprodução da vida apresenta-se como uma dupla relação, por um lado relação natural, por outro, relação social, uma relação de cooperação entre vários homens – sendo que a cooperação (uma força produtiva) está sempre relacionada a determinado modo de produção, “a soma das formas produtivas acessíveis ao homem condiciona o estado social”; e) a linguagem enquanto manifestação da consciência histórica da necessidade de intercâmbio entre os homens é, portanto, um produto social e a consciência de que o homem vive em sociedade.
Para compreensão do desenvolvimento imanente do homem, a atividade produtiva mostra-se como ponto chave, pois conforme destaca Mészáros (2007, p. 99) ela é a mesmo tempo:
[…] a causa da crescente complexidade da sociedade humana (criando novas necessidades ao mesmo tempo em que satisfaz outras mais antiga […] ) e o meio de afirmar a supremacia do homem – como ‘ser universal’ que é ao mesmo tempo ‘ser específico’ único – sobre a natureza.
Na efetividade da regulação da atividade produtiva que acompanha a crescente complexidade da sociedade humana, desenvolve-se também a divisão do trabalho que somente vem a ser “realmente divisão quando ocorre a divisão entre trabalho material e [trabalho] espiritual” (MARX e ENGELS, 2007, p. 33). Este processo está intimamente ligado a fragmentação da consciência, a autonomização das relações sociais, ao estranhamento. Deste modo, a auto-alienação do trabalho é uma “expressão socio-historicamente necessária de uma relação ontológica fundamental. Esse é o aspecto positivo da auto-alienação do trabalho” (MÉSZÁROS, 2007, p. 107).
Mészáros (2007) segue explicando a alienação em Marx, afirmando que ao lado do aspecto positivo há também o negativo da auto-alienação do trabalho. Este manifesta-se na relação contraditória entre a propriedade privada e o trabalho. Conforme palavras do autor:
Aos olhos de Marx, a evidência crescente de um antagonismo social irreconciliável entre propriedade privada e trabalho é uma prova do fato de que a fase ontologicamente necessária de auto-alienação e automediação reificada do trabalho – “pelo meio da propriedade privada” etc. – está chegando a seu final. O agravamento da contradição entre propriedade privada e trabalho demonstra a contradição mais interna do sistema produtivo existente, e contribui enormemente para a sua desintegração. Assim a auto-objetivação na forma de auto-alienação perde sua justifiação histórica relativa e se torna um anacronismo social indefensável (MÉSZÁROS, 2007, p. 107)
A transcedência (Aufhenbug ) da auto-alienação do trabalho é, segundo Mészáros (2007) “a chave para a o entendimento da teoria de alienação de Marx”. Ambas denotam necessidades ontológicas. A transcedência é compreendida como a possibilidade necessária da união dos opostos em uma determinanda fase do desenvolvimento histórico em que as contradições existentes no sistema de regulação da atividade produtiva – que uma vez manifestaram-se como necessária – estão paralisando o desenvolvimento imanente da espécie humana. O aspecto negativo da auto-alienção do trabalho só pode ser compreendido a partir da posição do trabalho em sua universalidade transcedente. Apenas deste ponto de vista, pode-se compreender a parcialidade do trabalho estranhado e sua relação contraditória com a propriedade privada.
Adotando o ponto de vista critíco da transcedência da auto-alienação do trabalho compreende-se porque, segundo Marx a “‘alienação do trabalho’ é a raiz causal de todo o complexo de alienações” – religiosas, científicas, culturais, etc. (MÉSZÁROS, 2007). Mészáros deste ponto de vista, re-elabora a figura apresentada anteriormente para demostrar como a introdução da mediação da propriedade Privada ↔️ Trabalho altera a reciprocidade dialética entre natureza-homem-atividade conforme ilustração abaixo.
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Fonte: Mészáros, 2007
Temos nessa nova reciprocidade dialética o homem (H) dividido em proprietários da propriedade privada e sua propriedade (P) e em trabalhadores e trabalho assalariado (T) o que determina a constituição de uma natureza alienada (NA) e de uma atividade produtiva alienada ( indústria alienada - IA). As série de relações reciprocas decorrentes disso são constituítas pelas triades: P ↔️ IA ↔️ NA; T ↔️ IA ↔️ NA; P ↔️ T ↔️ IA e P ↔️ T ↔️ NA.
Assim, segundo Mészáros (2007, p. 104, grifos do autor):
O desaparecimento do ‘homem’ desse quadro, sua supressão prática por meio das mediações de segunda ordem de P e T […] significa que não só há agora uma separação em cada elo dessas relações alienadas, mas também que o trabalho pode ser considerado como simples “fato material”, em lugar de ser visto como agente humano da produção.
A reificação do trabalho carrega consigo a reificação da subjetividade do agente do trabalho. Segundo Marx (2006, p. 80) “O produto do trabalho é o trabalho que se fixo num objeto, fez-se social (sachlich), é a objetivação (Vergegenstämdlichung) do trabalho. A efetivação (Verwirklichung) do trabalho é a sua objetivação”. Resaltamos que a objetivação do trabalho não é necessariamente sua alienação, posto que a objetivação de um trabalho alienado é a efetivação de um produto externo ao homem, alterações no seu mundo sensível exterior, no qual ele não se reconhece. Não reconhece na objetivação sua subjetividade. A vida que o homem deu ao objeto torna-se uma potência autônoma diante dele, indenpendente dele e, quanto mais objetiva-se o trabalho, quanto mais objetos se produz, mais o homem torna-se escravo de sua criação. “A efetivação do trabalho é a desefetivação do trabalhador” (MARX, 2006, p. xx). Em sua, os trabalhadores (T) assim perdem o controle de o quê, quando e como efetivarem o trabalho – produzirem.
Salientamos que, em virtude de inúmeros apontamentos realizados por Marx em outro escritos, podemos considerar que essa objetivação do trabalho não necessariamente depende de um suporte material, pois o trabalho fixado no objeto, assim o está, por este produto ser social. Seria simplista considerar que a objetivação da atividade se reduz à produção de algo tangível, tocável, o objeto portanto pode ser algo intangível desde que seja socialmente reconhecido como o resultado de um atividade e que medeie as relações sociais enquanto portador de valor de uso e, sob o modo antagônico de controle do social, com valor de troca. Essa ressalva é importante para as discussões atuais acerca do trabalho imaterial, essa “atividade abstrata ligada à subjetividade” (NEGRI e LAZZARATO, 1991, p. 25) que está em inter-relação recíproca com o trabalho material, ambos, segundo Antunes (2006, p. 124) “elementos fundamentais no mundo produtivo (industrial e de serviços) contemporâneo”.
Se o produto da atividade humana lhe é estranho isso decorre já no processo da objetivação e, assim, o homem se aliena no próprio ato de trabalho, conforme menciona Marx.
Se o produto do trabalho é a exteriorização, a produção é a exteriorização ativa, a exteriorização da atividade, a atividade da exteriorização. O trabalho é externo, não pertence ao seu ser. Na atividade do trabalho o homem nega-se. O trabalho não é, por isso, a satisfação de uma carência, mas somente um meio para satisfazer necessidades fora dele (MARX, 2003, p. 82-3).
A atividade que não oferece mais ao homem a satisfação em si e por si mesma demonstra que o homem está alienado de si mesmo.
Até aqui, descrevemos dois aspectos do estranhamento da atividade humana: o estranhamente de si ou auto-estranhamento e o estranhamento da coisa¬ ou estranhamento da natureza.
Considerando apenas esses dois aspectos já é possível evidenciar, conforme Marx faz, que o auto-estranhamento trata-se da alienação da atividade em todas as esferas da vida humana, pois como pondera o autor o que é a vida pessoal se não uma atividade? Acrescentamos assim que com o desenvolvimento das forças produtivas o trabalho imaterial apresenta-se como um catalisador do estranhamento do homem em suas relações sociais, pois, concordando com Negri e Lazzarato (1991) este ocupa toda a extensão da vida do ser. Este estranhamento, já é apresentado também por Marx, quando ele discute a alienação do homem em relação ao seu ser genérico, a terceira caracteristica da alienação.
Mas, à medida que o homem estranha de si a sua natureza e a sua atividade vital (trabalho), ele estranha de si sua relação com o gênero humano. Nas palavras de Marx (2003, p. 85)
O objeto do trabalho é portanto a objetivação da vida genérica do homem: quando o homem se duplica não apenas na consciência, intelectual[mente], mas operativa, efetiva[mente], contempla-se, por isso, a si mesmo num mundo criado por ele. Consequentemente, quando arranca (entreisst) do homem o obejto de sua produção, o trabalho estranhado aranca-lhe sua vida genérica, sua efetiva objetividade genérica […] faz-se da vida genérica apenas um meio para a vida individual.
Disso decorre que, assim como o homem estranha a relação com o produto de seu trabalho, aliena-se no próprio processo de objetivação de sua atividade vital e a sua relação com o ser genérico, ele estranha sua relação com outro homem – eis a quarta determinação da alienação.
Na relação do trabalho estranhado cada homem considera, portanto, o outro segundo os critérios e a relação na qual ele mesmo se encontra como trabalhador (MARX, 2003, p. 86).
Ademais, o trabalho estranhado (IA) opera na reciprocidade dialética entre T ↔️ P de tal modo que o a classe trabalhadora é esmagada pela auto-alienação e a classe proprietária tem nela a fonte de seu poder. Assim as relações de domínio de quem não produz sobre a atividade (IA), sobre o produto do trabalho e sobre o produtor (T) são engendradas por meio do trabalho estranhado, exteriorizado, e:
A propriedade privada, como expressão material, resumida, do trabalho exteriorizado, abarca as duas relações, a relação do trabalhador com o trabalho e com o produto do seu trabalho e com o não-trabalhador, e a relação do não-trabalhador com o trabalhador e [com] o produto do trabalho desse último. (MARX, 2006, p. 90)
De tal modo, as manifestações dessas relações são determinantes das classes sociais – formação societal histórica – e da concorrência obejtiva ou fundamental que ocorre entre trabalhadores e proprietários – entre classes – e da concorrência subejtiva que ocorre intra-classes.


Espero ter auxiliado, como aguardo sugestões tb! Wink

Bjos e abraços a todos e todas
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