A leitura dialetica do fenomeno de constituição dos quilombos ...

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A leitura dialetica do fenomeno de constituição dos quilombos ...

Mensagem  Louvani de Fatima Sebsati em Sex Out 16, 2009 2:08 am

Caros Colegas..

Gostaria de provocar um debate...Como poderimaos pontuar na dinamica do movimento da sociedade ...uma leitura dialética referente a constituição dos quilombos..no passado e a estrategia de permanecia dos remanescentes de quilombolas após a abolição nos territorio constituidos..diante das determinaçõa daque epoca.. e de hj...tenho interesse em apreender o mótodo dialético para aplicar na leitura da constituição de quilombos e nas estrategia dos quilombolas hj...


Até...
Louvani

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Re: A leitura dialetica do fenomeno de constituição dos quilombos ...

Mensagem  Lélica Lacerda em Dom Out 18, 2009 7:27 am

Não apenas no fenômeno quilombola, o grande desafio da é conseguirmos fazer a leitura de todo fenomeno social a partir do método materialis-ahitórico-dialético, reproduzir na mente os movimentos concretos da realidade e, assim, decifrar o real que aparece no cotidiano de forma invertida. Do pouco que sei do marxismo, o autor que mais conheço e aprecio é o Lukács e espero aprender muito com este curso!

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Dúvidas que surgiram com a leitura

Mensagem  Deise Luiza Ferraz em Dom Out 18, 2009 11:58 pm

Acho bastante produtivo termos uma referência para treinarmos o uso do método histórico genético. Mas, em virtude de meu pouco contato com algumas discussões, gostaria antes de elucidar melhor alguns conceitos. Na leitura do texto fiquei com algumas dúvidas e gostaria da ajuda de vocês para resolvê-las. Pontuarei abaixo.

1. Alguém poderia me explicar o que é o ser orgânico, o ser inorgânico e o ser social? Ou indicar-me alguma leitura onde possa verificar se estou apreendendo corretamente tais conceitos?

2. Lukács afirma que devemos partir do cotidiano, onde os problemas ontológicos se colocam em estado bruto. Este cotidiano é entendido como a manifestação do momento de uma conexão geral de determinados complexos no âmbito de um processo histórico. Na seqüência do texto, afirma-se que: "método histórico-genético – a partir da vida cotidiana, compreender os fenômenos complexos partindo dos fenômenos originários". Para mim não ficou muito claro a relação entre a vida cotidiana e os fenômenos originários. Como chego aos fenômenos originários partindo do cotidiano para compreender os fenômenos complexos? Não seria na reconstrução das conexões gerais de determinados complexos que alcançaria os fenômenos originários para então, a partir destes traçar o caminho de volta e chegar a compreensão das formas e determinações da existência do ser social que, no princípio, se manifestou ao pesquisador enquanto cotidiano?

Fico grata se puderem me ajudar, pois nem minhas dúvidas estão elaboradas para mim.

Fico no aguardo,

Abraços a todos
Smile
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Sobre as questões levantadas por Deise...

Mensagem  Jamerson Souza em Ter Out 20, 2009 3:11 am

Olá Deise, estou participando do curso e vi as questões que você levantou. Sem querer esgotar a discussão, gostaria apenas de te apontar, rapidamente, o que a minha leitura de Lukács tem revelado.
Sobre a primeira questão: sobre o ser inorgânico, orgânico e social. Segundo pude compreender de Lukács, sua ontologia se volta para o desenvolvimento unitário do ser. Muito antes do ser social (o mundo dos homens, o desenvolvimento da sociabilidade humana), o desenvolvimento da esfera inorgânica, sujeita às leis físico-naturais (o mundo da natureza anterior aos organismos biológicos, em suma, anterior a qualquer espécie de vida, pangéia, etc...) acontece independentemente de qualquer atuação teleológica, ou seja, intencional (não haveria um deus a reger o desenvolvimento do ser). Da mesma forma, a esfera orgânica, ou seja, o que Lukács chama de "salto ontológico", surge com base na esfera inorgânica, reunindo de forma exponencialmente mais complexa os elementos físico-naturais numa forma de desenvolvimento distinta da esfera inrgância: é a esfera biológica, onde a reprodução do ser é ontologicamente diferente da reprodução do ser inrgânico. A partir do surgimento da vida, ela se desenvolve de uma forma particular. Movimento análogo ocorre ao surgimento do ser social. Embora reúna elementos das outras esferas, inorgânica (componentes naturais do corpo) e orgânica (reprodução de indivíduos vivos), o ser social, o mundo humano, se desenvolve de forma RELATIVAMENTE autônoma em relação à reprodução dessas outras esferas do ser. Embora inelimináveis, o ser orgânico e inorgânico passam a exercer cada vez menos influência no desenvolvimento do ser social. É o que Lukács, após Marx, chama de "recuo das barreiras naturais". Note que Lukács está explícitamente se reportando a uma explicação ancestral e materialista da história, abarcando até mesmo os períodos anteriores à existência humana. É como se Lukács tivesse ido aos confins mais distantes da história, muito mais do que Engels foi no seu texto sobre a "Origem da Família, da PP e do Estado", que você deve conhecer. Muito embora esse "passo para trás" possa aparentemente parecer uma "abstração" muito difícil de mensurar, essa forma de conceber o ser social a partir de diferentes esferas ontológicas, que são regidas por legalidades próprias, permite desvendar as particularidades e as alienações próprias das sociedades de classes em geral e do sistema do capital em particular. De passagem, registrar que Lukács, como todo grande pensador, não inaugura, de forma necessária, essa forma de pensar o ser. Ele reúne esses elementos, nesse particular, de Nicolai Hartmann, mas os reverte em termos materialistas - fenômeno que não constitui novidade na história do marxismo. A referência lukacsiana é Marx.


Espero ter contribuído de alguma forma.
Um abraço.
Jamerson Souza.
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Mais uma contribuição sobre o ser social

Mensagem  robertocoelho em Dom Out 25, 2009 11:00 pm

Olá denize, venho aqui com mais uma contribuição a respeito do ser social, através de uma citação de NETTO, 2007 p.34

"O trabalho implica mais que a relação sociedade/natureza: implica uma interação no marco da própria sociedade, afetando os seus sujeitos e a sua organização. O trabalho, através do qual o sujeito transforma a natureza (e, na medida em que é transformação que se realiza materialmente, trata-se de uma transformação prática), transforma também o seu sujeito: foi através do trabalho que, de grupos primatas, surgiram os primeiros grupos humanos - numa espécie de salto que fez emergir um novo tipo de ser, distinto do ser natural (orgânico e inorgânico): o ser social."

Espero que esta passagem contribua para melhor compreensão do tema.

NETTO, José Paulo. Economia política: uma introdução crítica / José Paulo Neto e Marcelo Braz. - 2 ed. - São Paulo : Cortez, 2007. - (Biblioteca básica de serviço social ; v.1)
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Agradecimento

Mensagem  Deise Luiza Ferraz em Seg Out 26, 2009 6:54 am

Agradeço muito ao Jamerson e ao Roberto.

As explicações auxiliaram muito meu entendimento acerca da relação entre ser inorgânico-orgânico-social.

Espero que com o decorrer do curso outras questões sejam elucidadas.

Obrigada! E mantemos contato! Smile

Abraços a todos e todas
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